Cinco dias antes do drama, Fima teve um sonho que registou às cinco e meia da manhã no seu bloco de sonhos. Este, de cor castanha, jazia debaixo de uma pilha desordenada de jornais e revistas velhos que se encontrava no chão, aos pés da cama. Fima tinha o costume de escrever na cama, aos primeiros alvores da madrugada, quando a luz pálida surgia quebrada pelas ripas dos estores. Se não tinha sonhado nada ou se se tinha esquecido, mesmo assim acendia o candeeiro, piscava os olhos, sentava-se na cama e, colocando sobre os joelhos uma revista grossa que improvisava um tampo de mesa, escrevia, por exemplo, isto:
“Vinte de Dezembro — nada.”
ou:
“Quatro de Janeiro — algo com uma raposa e uma escada, mas com pormenores apagados.”
Continue a ler A Terceira Condição aqui.
o livro do riso e do esquecimento